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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Medo e Vontade

Hoje eu acordei me perguntando: 'Será que o medo está sempre ligado a vontade?'. Medo de engordar, vontade de comer mais. Medo de não te ver mais, vontade de ir agora na sua casa. Medo de brincar na montanha-russa, vontade de adrenalina. Medo do monstro, vontade de ver mais o filme.  Medo de me apaixonar, vontade de namorar você. Medo de escrever sobre o amor, vontade de ser amado. 



Nem sempre podemos controlar esse sentimento. É como se o medo fosse a sua razão te alertando que aquilo pode não acabar bem e a vontade fosse o seu coração dizendo para você se entregar logo e acabar com essa frescura.

Ás vezes é fácil dar ouvidos a razão (eu diria até que existem pessoas especialistas nisso), mas muitas vezes a vontade fala mais alto. Algumas vontades já tem final certo e se tornam uma forma de Auto-Sabotagem, mas você não resiste. Algumas outras vontades são fáceis de serem controladas e você as substitui por outras menos arriscadas. Agora eu lhe pergunto: E as vontades duvidosas? Aquelas vontades que você sabe que tem, mas não sabe no que vai dar?

São essas, principalmente, que estão ligadas ao medo (um medo que normalmente vem da realização de 'vontades mal-sucedidas').

Outro dia me questionaram: 'Poxa Lucas, você só escreve sobre desamores, términos de namoro, fugas. Já pensou em escrever sobre o amor? Sobre a vontade de estar com alguém?'. Foi exatamente pensando na utilização da palavrinha 'vontade' que eu já imediatamente respondi: 'Tenho medo'. E logo de imediato fui novamente questionado: 'Medo do que?' e eu respondi: 'Medo de viajar demais. Medo de sentir algo. Medo de não conseguir dizer o que eu realmente sinto.'

Eu tenho definidas e consigo facilmente escrever as situações trágicas da minha vida (e principalmente da vida dos outros) e também consigo expôr outros sentimentos. Agora, escrever sobre o amor? Um pisciano? Não. É arriscado demais. Essa é uma vontade que perdeu pro medo. (pelo menos até hoje)

Algumas vontades ficam só nas vontades. Como diz a minha mãe: 'senta e espera a vontade passar'.

Eu hoje, escolhi arriscar mais nas minhas vontades. 

E vocês, medo e vontade? Vontade e medo? Nenhum dos dois? Dividam comigo!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Até quando?

Quando eu era criança e me perguntavam: Qual seu maior medo? Eu logo respondia, por espanto de alguns, que não era do bicho papão e muito menos do homem do saco, mas sim da violência, medo de ser sequestrado, assaltado e sofrer com isso.

Poderia ser diferente, mas esse medo não mudou. A única coisa que me tranquilizava enquanto criança é que as pessoas sequestradas eram sempre filhos de celebridades ou de pessoas com bastante poder aquisitivo. Hoje? Qualquer um está sujeito a ficar na mão de bandidos. Não precisando se quer ter uma conta bancária muito recheada.

As formas de violência crescem de acordo com o avanço tecnológico. Nossas informações em sites de relacionamento podem ser usadas para armar um sequestro, sabendo quem são nossos amigos e familiares e principalmente a nossa rotina diária. Quem nunca leu algo no twitter que diz: " Ganhei um iphone lindo e estou postando essa mensagem dele para dizer que hoje só chego em casa as 22hs". Pronto. Estão ali todas as informações que qualquer assaltante precisa.

É fato que violência assim acontece todos os dias, mas nós sentimos a dor mais perto quando ela acontece com a gente ou com pessoas que conhecemos. Aí sim lembramos que vivemos no meio de uma guerra urbana e que ninguem pode nos defender. Já pensou se no meio de um assalto à minha casa a polícia chega? Logo eu já me torno refém e as coisas, que já não estavam boas podem piorar. É melhor então que deixemos eles levarem tudo e que priorizemos nossa vida.

É cruel ver o trauma de pessoas que foram assaltadas, humilhadas e que correram o risco de vida. É cruel perceber que elas estão sem saída e que muitas dúvidas irão permanecer: Chamar a polícia ou não? Divulgar para a imprensa ou preservar a imagem? Mudar de casa ou ficar na mesma casa? Eles voltarão daqui 1 mês?

O risco está em qualquer lugar. E até quando?